domingo, 30 de agosto de 2015

CONCÓRDIA

Um olhar sincero
comove
move


A ÚNICA VERDADE É A DO CORAÇÃO

''Eu olhei em templos, igrejas e mesquitas, mas eu achei o divino dentro do meu coração.'' Rumi 

Se ainda dependemos de qualquer coisa exterior (templos, líderes, mestres, conselhos alheios, práticas, livros, rituais, regras etc) para SER, é porque ainda não despertarmos completamente para a plenitude do coração.

O teu coração é o teu único e verdadeiro mestre. O resto é vaidade de egos sempre tentando violar a eterna multiplicidade infinita de caminhos... O resto são condicionamentos que nos fazem servil.

Sete bilhões de pessoas: sete bilhões de caminhos que nunca, jamais, se repetirão!!!

Tudo que é Divino não tem cópia, não faz imitação, não se repete. A originalidade é a marca da criação. O Sagrado nasce  a todo instante, é sempre novo.

Lembremo-nos: todo ritual, inclusive as religiões e o ateísmo, é provisório na senda do despertar. O ritual é apenas mais um útero que, com o tempo, deve ser rompido em prol de um universo maior. Se ainda não despertamos para a impermanência de tudo que existe no mundo, viveremos como no mito de Sísifo: sempre carregando uma pedra pesada. Logo, esse rompimento pode doer, gerar medo e paralisia, contudo, devemos estar receptivos à inevitável destruição, pois ela é indispensável à completa iluminação.






Pintura: Criança geopolítica assistindo o nascimento do novo homem
Autor: Salvador Dalí
Ano:1943





sábado, 29 de agosto de 2015

O HERÓI E O VILÃO INTERIOR

Gosto de ler os materialistas e suas descrições científicas, exatas, dissecadoras. Eles promovem um primeiro despertar importantíssimo. Daí você aprende o que é a matéria: as angústias humanas, sua psique fraca, suas carências, a luta diária de uma vida destruindo outra, o capitalismo selvagem, a natureza violenta e hostil. Então, você tem que reconhecer que o mundo é mesmo assim: cruel. A matéria é algo fétido, transitório, efêmero. Sistemas políticos, impérios e ideologias nascem e morrem... Por fim, se fosse somente isso, estaria eu mergulhado somente na depressão.


Entretanto, existem idealistas que estão aqui entre nós. Apontando para o Alto e para um segundo despertar. Felizmente!

Eles também sabem que a matéria está destinada a putrefação. Contudo, diagnosticar isso pela análise científica é somente o começo para um idealista, pois eles querem transformar esse estado mórbido olhando para dentro. Assim, buscam criar maneiras de roubar do tempo algo que mereça ficar para a Eternidade. 

A arte de séculos atrás que até hoje contemplamos foi realizada inegavelmente por idealistas. Pessoas que tiveram ao menos um lampejo na vida e perceberam que esse mundo nunca foi menos cruel e provavelmente nunca será, logo, somente o espírito humano pode ser transmutado de enxofre em puro ouro, de homem em divindade! Raríssimas pessoas conseguem essa autotransformação, pois lapidar a si mesmo é difícil e é mais fácil culpar o outro por nossas desgraças.

Ora, mudar o mundo só se torna verdadeiramente possível e materializável quando o espírito individual já foi transfigurado. A capacidade de mudar o externo para um estado mais elevado e definitivo é somente um reflexo da mudança que já ocorrera no interior do homem. 

Por tudo isso vemos pseudo-adultos a reclamar do mundo o dia inteiro e a dizer que estão muito insatisfeitos e que, se pudessem, fariam tudo do jeito deles. Querem mudar de país, e se pessoa tal morresse tudo melhoraria, se os politicos fossem exterminados etc. Porém, nem mesmo dos seus próprios vícios esses pseudo-heróis entorpecidos querem se curar. Chegarão à velhice amargurados...

Alguns humanos de carne e osso se tornaram lendas pois começaram como os heróis mitológicos Hércules, Jasão, Aquiles, Teseu: dominando o touro, o minotauro e a cobra que habitam nosso interior. A terra e o Universo agradecem, pois essa é a única e a maior batalha, muito mais efetiva que o nosso desejo DIÁRIO de cortar a cabeça do semelhante.

Observação: não vá ler um mito e pensar que a história está acontecendo lá fora. Não! As batalhas daqueles heróis foram todas interiores. As batalhas são somente uma alusão à tua própria luta diária com teus demônios íntimos, caro leitor! Então, meu amigo, leia um mito clássico com a seguinte ideia na cabeça: "esses monstros também habitam em mim"! Desse modo você finalmente poderá ir domesticando cada um deles ao invés de ficar se iludindo como um anjinho loiro dos olhos azuis e de auréola dourada que merece uma espada de luz para sair julgando e decepando os malfeitores.

Para mudar este mundo, COMECEMOS com gentileza e doçura na voz. Movimentos leves. Fala pausada. Não só tolerância, mas mais respeito consigo mesmo e o outro. Com delicadeza e doçura na fala e principalmente no olhar, já vamos acalmar muitos humanos perdidos à nossa volta. Assim, logo também começaremos a plasmar na terra o céu que habita o nosso interior duramente trabalhado e, por compaixão, evitaremos de imprimir no outro a nossa parte negra que, finalmente, conhecemos e domesticamos aqui dentro.

Um mito em potencial habita o nosso interior. Vamos atrás dele!




domingo, 7 de junho de 2015

A CRUZ É A TUA ESPADA

Além do cruzamento da vida e da morte,
do tempo e espaço,
do bem e mal, 
do amor e ódio 
do movimento e repouso
do dia e noite
da tristeza e alegria
do eu e o outro
do feminino e masculino
de atrito e julgamento 

Acima disso tudo está uma Neutra Verdade, que, em silêncio, desabrocha distante das lutas pela conservação de ilusões.

Lembre-se de tua morte
Se sabemos morrer, eliminamos o medo da vida... Afinal, a dualidade é ilusão.


terça-feira, 2 de junho de 2015

SOPHIA

(A Luz, ao tomar ciência de si, tremeu e variou. Nesse instante, sombras formaram-se e oscilaram no sentido oposto. Assim, A Luz descobriu que a escuridão movia-se em função dela e, desde então, centrou-se para sempre em si mesma.)

Ela era tão bela dançando em solidão que no vácuo de teus movimentos nasceram espontaneamente espectadores. Em verdade, tudo surgiu dos movimentos Dela e, logo, eles descobriram-se apenas suas sombras. Até mesmo o Nada assim resolveu-se para homenageá-la. E o remanescente, incluindo as estrelas e seus mitos, é relativo em face desse Útero Absoluto do qual provêm.



Então, todos almejaram transfigurar-se em ao menos uma chispa, como um holofote que segue a artista em teu sagrado palco. Desta sorte, platéias mortais foram iluminadas e renasceram pela simples visão de um Ser Feminino que a tudo o mais creou!


Sigamos os ecos desses aplausos espalhados pelo universo, hierofantes de um espetáculo silencioso e indescritível: A Deusa...

As cortinas e véus já caíram: Amanheceu!




domingo, 24 de maio de 2015

OS MUITOS E O YÔGA*

Imaginamos que dominamos nosso corpo. Ilusão. Somos apenas marionetes nas mãos de diversas forças que nos controlam todo o tempo. E essas mãos não estão lá fora. Elas são simplesmente seus pensamentos e os órgãos de seu corpo.

Já analisou o fluxo dos seus pensamentos? A quantidade, a diferença de tom e a vibração de cada um deles? Já parou para descobrir como cada um dentre todos os seus órgãos tem uma energia própria, uma individualidade, uma intenção e um impulso diverso do outro? Reparou em como a sua respiração muda conforme os sentimentos que te tomam?

Cada pensamento e cada órgão do nosso corpo possuem uma enorme autonomia. Praticar Yôga nos mostra o quanto estamos longe de termos conhecimento das demandas da mente e dos órgãos de nosso corpo. Simplesmente nos identificamos com os pensamentos e concluímos: “Ah, eu sou esse pensamento”. Ou, pior, nos identificamos com o nosso próprio corpo: “Eu sou o meu corpo”. Assim, nos limitamos de tal modo que nos julgamos fracos, pequenos e incapazes. Imaginar que somos o corpo ou um pensamento é ignorar profundamente aquilo que habita o mais recôndito de nosso ser e é o maior mistério da existência: O Infinito, A Perfeição, A Beleza. A nossa sede inesgotável por essa trindade comprova nossa incomensurável natureza. Contudo, nesse mundo de ilusão, somos levados a acreditar que possuímos apenas uma parte de algo ou que não possuímos o essencial, assim deveríamos buscar lá fora um novo pensamento, um novo corpo, um novo meio...

Não adianta lutar contra seus pensamentos e nem com o seu corpo. A única saída é conhecê-los, observá-los e, por fim, abraçá-los com muito carinho e aceitação. Abraçar significa ter uma certa disciplina para que eles possam ser tratados e revigorados. Yôga é um desses métodos milenares e consagrados. Para seguir no caminho do Yôga, não é necessário se curvar, ao contrário, liberdade é a ideia fundamental. Postura elevada e cabeça altaneira se fazem essenciais à prática. Valorizar a solidão e o silêncio também são requisitos, pois a meta é a única coisa que pode te trazer a verdadeira realização e felicidade: o seu poder interior.

Somos muitos. Somos uma legião. Somos uma soma de diversidades. Somamos um Universo inteiro.

O Yôga é um dos caminhos para unirmos essas aparentes antinomias entre os diversos órgãos do nosso próprio corpo e entre as correntezas turbulentas de pensamentos. Resolver esse conflito interno é estar ajustado ao mundo que nos cerca aceitando-o como ele é e com alegria.

O equilíbrio interior é a maior contribuição que podemos dar ao Universo, sem necessidade do desejo de mudar o outro ou o mundo, pois assim, criamos estima e acolhimento por nós mesmos e, finalmente, por tudo. Então, nessa passividade inclusiva, transmutamo-nos na força ativa a elevar a vibração de tudo.

Yôga, um despertar de um sonho multifacetado para a realidade da Face De Um Olho Só.

Ele me olhou e eu estive refletido em seus olhos. Criou-se uma confiança que para sempre habita o meu ser.

*Ou Yoga ou Ioga. Estamos cientes da diversidade de escrita dessa palavra no Brasil e das divergências ferrenhas que giram em torno disso. Contudo, não adotamos nenhuma forma como a mais correta. Acreditamos que a diversidade de escrita deve ser respeitada e o próprio autor do texto não escolheu partido ou julgamento algum sobre a discussão. Portanto, poderá o querido leitor encontrar textos deste autor iniciante neste prática milenar com as três grafias: Yôga, Yoga e Ioga.  



MESTRES DO INOMINÁVEL

Perguntar para que servem a Meditação, a Filosofia e a Arte é o mesmo que indagar qual é a minha utilidade. Para que existe o homem?

O Homem busca através da arte, da filosofia e da meditação irradiar felicidade e beleza. Infelizmente, nem todos estão aptos para captar essas sutilezas.


Parece que a alma necessita de um aprimoramento para reconhecer o belo... Por isso os professores, mestres, filósofos, escritores, pintores, poetas, escultores, músicos são tão essenciais nesse processo de elevação humana.

É uma pena que essas profissões sejam tão desvalorizadas economicamente, pois isso acaba reduzindo o nível de qualidade e capacidade de arrebatamento dos ensinos de seus representantes, assim, aqueles que atingem a popularidade e o status econômico quase sempre não tem compromisso com a elevação do espírito humano.

"A verdade é uma só, mas os sábios falam dela sob muitos nomes." (VEDAS)